Camila: kkkkkkkkk, eu só falo sério. To com cara de intelectual com esse copo de uísque na mão?!!!!
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Márcia: Toma juízo porra!!!, Sério.
O que é aquilo ali, no cantinho que vc está escondendo?!!! ÊÊÊÊÊÊ, me dá... Hummmm, licor de chocolate, uiuiuiui, de cachoeira hein danada.
Camila: Márcia, essa garrafa eu guardo desde o São João passado.
Márcia: Nada, vamos tomar. Esse é uma delíiiiiiiiiiiiiicia. Parece Nescau e eu sou chocólatra. Vamos aproveitar e brindar o filme nacional que assisti ontem.
Camila: Você foi assistir aquele filme Divã?
Márcia: Fui sim!
Camila: Menina!!! Quando eu fui assistir pensei que tinha aquele papo cabeça entre o psicanalista e paciente. Um papo Freudiano,que tudo é culpa da mãe. Tô bege!!! A sensação que eu tive era que o psicanalista fosse eu. Pense ai, eu e Lilia Cabral discutindo os dramas de uma mulher de classe média, casada e de meia idade!
Márcia: Isso é explicável, Mila! Como diria o nosso amigo Pareyson na teoria da formatividade, existem várias formas de formar a forma. Neste caso, em Divã, eles utilizaram um jogo de enquadramento para dar essa forma e você sair da sala de cinema, com essa sensação de seguidora de Freud. Mas não foi só isso! Tiveram outros aspectos como a música camaleõa de Caetano Veloso, que fala das mudanças e a personagem de Lílian Cabral passa por mudanças durante todo o filme. E o mais interessante é: não existe drama, ele trata de situações do cotidiano de uma mulher madura, de forma engraçada. Sai de lá com dor na barriga de tanto ri. Foi o filme todooooooooooooo!!! E a amiga de Mercedes, a personagem de Lílian Cabral, que também é conselheira e confidente dela. Que figura!!! Até na hora de morrer a mulher, interpretada por Alexandra Ritcher, faz comédia. Imagine você menina!!! Pedir para ser maquiadaaaaaa, no leito de morte! Parece loucura, mais ficou muito, mais muituuuuuuooooooooo engraçado. Tratou a morte de forma menos pesada.
Camila: Lembrei até de Juliana na hora. Os aspectos plásticos que ela falou tanto na aula estavam lá, na minha cara. Os cortes das imagens entre uma cena e outra, deixa que o expectador interprete as cenas, ao invés de deixar para o autor este trabalho “sujo”. Que deu um resultado bacana e diferente dos filmes em que o autor pensa por você.
Márcia: Rapaz!!! Tive a mesma sensação. Mas pena que nem todo mundo vai sentir o mesmo, por que a maioria fica só na fruição.


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